Fake news à portuguesa: os sites de desinformação com mais seguidores

O negócio é rentável. A audiência dos sites de desinformação permite um retorno de milhares de euros pagos pela publicidade do Google. Só no Facebook, mais de dois milhões seguem estas páginas portuguesas.

É uma reportagem do Diário de Notícias que pode ler aqui.

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As escolas devem ser moralmente neutras?

racismo-nic3b1o-guerra-min-e1475780540253Segundo Amy Gutmann, as escolas não são “amorais”, pois desenvolvem o caráter moral ao mesmo tempo que ensinam habilidades cognitivas básicas. Por isso, afirma que numa democracia as escolas públicas devem ser úteis na educação moral dos futuros cidadãos. A neutralidade liberal, defendida pelos liberais defensores do “estado dos indivíduos” preconiza apenas uma clarificação de valores que ajude os alunos a entender e desenvolver os seus próprios valores e a respeitar os valores dos outros. No entanto, esta estratégia conduz ao relativismo ético, como defende Gutmann (2001, p.78): “Considerar cada opinião moral como igualmente válida incentiva nas crianças o falso subjetivismo de «eu tenho a minha opinião  e tu a tua», e quem decide quem tem razão?”

Assim, a educação moral não requer apenas a clarificação dos valores mas também uma análise racional e deliberativa dos mesmos: “Se as crianças chegam à escola pensando que «negros, judeus, católicos e homossexuais são seres inferiores que não devem ter os mesmos direitos que nós», então é necessária uma crítica e não apenas uma clarificação dos valores” (2001, p. 78).

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A lição do Brasil!

Second round of the presidential election in BrazilNão muito tempo depois da eleição do patético Trump chega ao poder no Brasil o não menos patético Bolsonaro – um político anti-democrata, misógino, racista e homofóbico. Foi o candidato que os cidadãos brasileiros elegeram democraticamente para Presidente do Brasil. Nós, portugueses, o que podemos aprender com o exemplo do Brasil?

O principal defeito da democracia, como se tem observado nos tempos mais recentes, reside não apenas na incapacidade democrática de escolher os melhores para governar mas, principalmente, na incapacidade de evitar a eleição dos piores: cidadãos anti-democratas, misóginos, racistas, xenófobos, belicistas, homofóbicos e, além disto tudo, incompetentes.  Sabemos que os cidadãos que votam e elegem os governantes são politicamente ignorantes, irracionais e desinformados. Mas, aparentemente, esta “falha” da democracia resolver-se-ia com Educação Democrática, dado que as pessoas poderiam participar na política de forma mais nobre e mais racional se estivessem melhor preparadas para compreender e aceitar pontos de vista diferentes, se soubessem interpretar melhor a informação política e se melhorassem as competências argumentativas. Todavia, a vitória de Bolsonaro no Brasil não pode ser explicada, eventualmente, só pela ignorância política do povo brasileiro. Além do contributo desastrado do último governo PT, (ajudado e ampliado pelo juiz/agora superministro Moro, que se esqueceu que a separação dos poderes é um dos princípios fundamentais da democracia), a vitória de Bolsonaro explica-se também (i) pela ausência de alternativas políticas credíveis, pela total (ii) desregulação institucional dos mecanismos de aferição dos processos democráticos, nomeadamente os que dizem respeito à aferição dos requisitos democráticos dos candidatos, pela (iii) desregulada difusão mediática da informação e propaganda eleitoral e pela (iiii) permeabilidade monopolista entre diferentes esferas, nomeadamente, entre a esfera do dinheiro ou do mercado, a esfera da religião e a esfera do poder político ou do Estado.

Num sistema democrático qualquer cidadão comprovadamente antidemocrata, desonesto, misógino, racista, xenófobo ou homofóbico deveria, simplesmente, estar impedido de se candidatar a cargos políticos. Ora, se houvesse dispositivos institucionais democráticos para o efeito, a política teria um ambiente muito mais respirável. Por outro lado, no Brasil, como noutros países democráticos, a braços com governantes populistas, os mass media tradicionais, sujeitos a regulação institucional, foram, no plano político, relegados para segundo plano. As redes sociais, propriedade de dois ou três tubarões mundiais como o Google (dono do Youtube), o  Facebook (dono do Instagram e do Watshapp) e o Tweeter  foram o meio privilegiado para difundir informação sem crivo jornalístico ou contraditório, para influenciar os eleitores através de informação manipulada e notícias falsas. Foi também por este motivo que Bolsonaro foi eleito Presidente do Brasil sem participar num único debate, preferindo veicular, através do Watshapp e outras redes sociais, as suas ideias e críticas, muitas vezes baseadas em factos falsos (fake news), em mentiras, sobre o seu principal opositor. Tudo financiado por empresários bem conhecidos. Aliás, no Brasil, a promiscuidade entre o poder económico, a religião e o poder político assumiu contornos intoleráveis para qualquer democracia. Bolsonaro teve o apoio explícito dos evangélicos, religião professada por mais de vinte por cento dos brasileiros. E é de braço dado com a religião que terá de dirigir politicamente o Brasil. Mas a história tem-nos ensinado que a aliança da religião com a política tem dado resultados muitas vezes catastróficos para a sociedade. A insustentável promiscuidade entre o poder político e outros poderes é muito bem explicada por Michael Walzer em “As Esferas da Justiça”. Diz Walzer que, se numa sociedade os indivíduos que detêm um bem social X (o dinheiro, por exemplo) exigem outro bem Y (o poder político, por exemplo) só por possuírem o bem X, e sem terem em atenção o significado daquele bem Y, então estamos perante uma violação da justiça, configurando-se como uma situação de monopólio, de dominação intolerável ou de tirania. Um cidadão pode ter o domínio sobre o poder político, porque se mostrou mais capaz e persuasivo e foi democraticamente escolhido para exercer um cargo político e não porque, detendo o monopólio ou domínio sobre outros poderes, como o poder do mercado (dinheiro) ou da religião, consegue (só por esse motivo) ter o domínio sobre o poder político, sobre o Estado: “o tirano é uma pessoa que se aproveita de um bem dominante com o fim de dominar os homens e mulheres que o rodeiam” (p.267). Por isso é que a compra ou venda de votos ou da vontade (economicamente manipulada) dos eleitores é um ato tirânico e antidemocrático.

Nós portugueses, enquanto é tempo, poderíamos aprender com o que está a acontecer no Brasil, nos EUA, na Itália, na Hungria e em muitos outros países europeus, para evitar um anunciado descalabro da nossa democracia. Ainda vamos a tempo! Mas para isso, na minha opinião, teríamos que (i) promover e institucionalizar a Educação Democrática, (ii) estabelecer normas e princípios democráticos de aferição das condições de acesso dos cidadãos a cargos políticos; (iii) criar dispositivos de regulação política dos novos meios de informação e comunicação e proibir o domínio e interferência de grupos económicos, nomeadamente das multinacionais proprietárias das redes sociais, sobre os processos de eleição democrática dos cidadãos e (iiii) ponderar sobre a criação de mecanismos de credibilização da atividade política e dos políticos, procurando atrair para a política melhores cidadãos(e excluir os piores) e diferentes alternativas políticas.

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Porque é que os jovens se interessam cada vez menos pela política?

Jovens politicaOs estudos mostram que a maioria dos adolescentes e jovens não têm interesse na política, apesar de os índices de satisfação com a democracia estarem a melhorar em Portugal. Não se revêem nos partidos, não lêem notícias nos jornais nem vão à internet aprofundar estes temas. E, apontam alguns dados, até votam menos do que há uns anos. Como é possível alterar este cenário?

Interrogações para o debate promovido pela Fundação Manuel dos Santos , amanhã, na RTP 3, com moderação de Ana Lourenço. A ver vamos o que nos reserva o painel de participantes: o músico e fundador dos Buraka Som Sistema, Kalaf Epalanga, o presidente do Conselho Nacional da Juventude Hugo Carvalho, a ex-líder do grupo de jovens promessas criado pelo Fórum Económico Mundial Inês Relvas e o professor de Ciência Política Carlos Jalali.

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Orçamento Participativo Portugal- os vencedores

OPP-2018No Orçamento Participativo 2018, segundo o Governo, foram recebidas 1400 ideias apresentadas no site do OPP ou que foram submetidas nos 50 encontros participativos realizados  em todo o país, com a participação de 2500 pessoas.

Os cidadãos escolheram de entre 599 projetos, nacionais e regionais, como investir 3 milhões de euros do Orçamento de Estado. Ainda segundo o Governo registaram-se praticamente 80000 votos.

Os dois projetos vencedores a nível nacional tiveram respetivamente 6614 votos (“Cultura para Todos”) e 5792 votos (“Tauromaquia, Património Cultural de Portugal”).

A nível regional

Estes são os 38 projetos vencedores

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Recompensem o trabalho, não a riqueza!

Zara-minEste é o apelo que titula o último relatório da Oxfam, uma ONG  que procura estudar e combater as causas da pobreza e das desigualdades económicas e sociais injustas no mundo. No relatório de 2017 os números não deixam dúvidas: mais de 80 por cento da riqueza criada no mundo em 2017 foi parar às mãos dos mais ricos que representam 1 por cento da população mundial. O estudo calculou que a riqueza dos multimilionários aumentou 13% ao ano em média, desde 2010, seis vezes mais do que os aumentos dos salários pagos aos trabalhadores (2% ao ano).

A riqueza obtida pelos mais ricos foi, sem dúvida, obtida à custa de uma gestão   miserável dos recursos humanos.

Em 2016, os dividendos anuais das ações do grupo de moda Zara, pagos ao quarto homem mais rico do mundo, Amancio Ortega, somaram aproximadamente € 1,3 biliões de euros. No entanto, Anju, uma trabalhadora que costurou, no Bangladesh roupas para este grupo, trabalho 12 horas por dia e ganhou pouco mais de 700 € por ano.
Em Mianmar, há jovens operárias do setor de vestuário que confeccionam roupas para marcas globais, trabalham 11 horas por dia e ganham pouco mais de 3 € por dia.

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Como poderá ser a democracia na era da Internet!

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